Semiótica Visual de Marca: A Gramática do que se Vê Antes de Ler

Toda marca comunica antes da primeira palavra. Cor, forma, proporção, composição: um sistema de signos visuais opera em silêncio, estruturando percepção e significado. Barthes, Kress e van Leeuwen, Floch e Groupe Mu construíram as ferramentas para decodificar essa gramática. Este artigo as aplica ao território da marca.

O problema com a maneira como marcas tratam o visual

Em reuniões de branding pelo mundo inteiro, decisões visuais são justificadas com frases como "passa modernidade" ou "transmite confiança". A cor azul "funciona" para bancos. Tipografia sem serifa "comunica inovação". Espaço em branco "é premium". Essas afirmações têm a estrutura de regras, mas a substância de superstição. Falta a elas o que Gunther Kress e Theo van Leeuwen chamaram, em Reading Images (1996), de gramática visual: um sistema organizado de recursos semióticos com regras de combinação, hierarquia e significação que operam independentemente da linguagem verbal.

O visual de uma marca produz sentido. Produz sentido com a mesma sistematicidade com que a sintaxe de uma frase produz sentido. E da mesma forma que uma frase agramatical comunica algo (confusão, estranheza, erro), um sistema visual inconsistente comunica desorganização semiótica. O problema do branding contemporâneo é tratar o visual como decoração quando ele opera como linguagem.

Toda imagem é uma proposição visual. A pergunta é se quem a produziu sabe o que está afirmando.

Barthes e a descoberta do código visual

Roland Barthes publicou "Rhétorique de l'image" em 1964. O ensaio analisava um anúncio da Panzani: pacotes de massa, tomates, pimentões, um cogumelo, tudo saindo de uma sacola de rede, sobre fundo vermelho-amarelo-verde. Barthes identificou três mensagens simultâneas operando naquela imagem.

A primeira era a mensagem linguística: o nome Panzani, que por sua sonoridade evocava italianidade. A segunda era a mensagem denotada: os objetos fotografados em si, tomates reais, massa real, um retorno do mercado. A terceira, e mais produtiva para o branding, era a mensagem conotada: a composição, as cores da bandeira italiana, a disposição que evocava natureza morta renascentista, a ideia de frescor e autenticidade que nenhum daqueles elementos declarava verbalmente, mas que todos juntos construíam.

A contribuição de Barthes foi demonstrar que a imagem publicitária opera em camadas simultâneas de significação, e que a camada conotativa funciona por meio de códigos culturais que o observador decodifica sem consciência do processo. Quando Barthes diz que a imagem tem uma retórica, ele quer dizer que existe um sistema de escolhas que produz persuasão visual. Esse sistema pode ser analisado.

Para marcas, a implicação é direta: toda escolha visual (cor, composição, enquadramento, textura) ativa códigos de denotação e conotação simultaneamente. Uma marca que controla apenas a denotação (o que mostra) sem controlar a conotação (o que evoca) está operando às cegas na metade mais poderosa da comunicação visual.

Kress e van Leeuwen: a gramática que faltava

Se Barthes abriu a porta, Kress e van Leeuwen construíram o edifício. Reading Images: The Grammar of Visual Design fez pelo visual o que a gramática funcional de Halliday fez pela linguagem: sistematizou os recursos de significação em três metafunções simultâneas.

A metafunção representacional trata do que a imagem mostra: participantes, processos, circunstâncias. Quem age? Quem recebe a ação? Existe um vetor (uma linha de ação) conectando participantes, ou eles estão dispostos em classificação taxonômica? Uma foto de marca onde o produto está em ação (uma mão segurando, um corpo em movimento) produz uma estrutura narrativa. Uma foto onde o produto aparece isolado, centralizado, categorizado, produz uma estrutura conceitual. A escolha entre narrativa e conceitual já é uma decisão de significação.

A metafunção interativa trata da relação entre a imagem e quem a observa. Três variáveis operam aqui. O contato: uma pessoa que olha diretamente para a câmera faz uma "demanda" ao observador, exige uma relação; uma pessoa fotografada de perfil ou sem olhar direto faz uma "oferta", coloca-se como objeto de contemplação. A distância social: plano fechado cria intimidade, plano aberto cria distância. O ângulo: frontal implica envolvimento, oblíquo implica desconexão; ângulo alto confere poder ao observador, ângulo baixo confere poder ao objeto representado.

A metafunção composicional trata de como os elementos estão organizados no espaço visual. Kress e van Leeuwen identificaram três sistemas operando aqui: valor informacional (esquerda = dado/conhecido, direita = novo; topo = ideal, base = real), saliência (tamanho, cor, foco, contraste que hierarquizam a atenção) e enquadramento (linhas, bordas, espaços que conectam ou separam elementos).

As três metafunções visuais (Kress & van Leeuwen)
MetafunçãoPerguntaVariáveis
RepresentacionalO que a imagem mostra?Narrativa vs. conceitual, vetores, classificação
InterativaQue relação propõe ao observador?Contato, distância, ângulo, poder
ComposicionalComo os elementos estão organizados?Valor informacional, saliência, enquadramento

Para o trabalho com marcas, esse framework transforma intuição em análise. Quando um diretor de arte centraliza o logotipo, amplia o espaço em branco e usa um ângulo levemente inferior para o produto, ele está produzindo significações específicas: importância (saliência), distância (enquadramento aberto), poder do objeto (ângulo). Saber nomear essas operações é a diferença entre repetir fórmulas de categoria e construir uma gramática proprietária.

Peirce: ícone, índice, símbolo no território visual da marca

Charles Sanders Peirce ofereceu uma taxonomia que opera num nível diferente, mas complementar. Sua tricotomia classifica signos pela relação entre representâmen e objeto: ícone (relação de semelhança), índice (relação de contiguidade ou causalidade) e símbolo (relação convencional, arbitrária).

No branding visual, essas categorias funcionam como camadas de um mesmo artefato. O swoosh da Nike é ao mesmo tempo um ícone (evoca velocidade por sua forma aerodinâmica), um índice (aponta para movimento, deslocamento) e um símbolo (por convenção cultural, representa a marca Nike e todo o universo de significados acumulados em décadas de uso). A classificação peirceana revela que um logo eficaz opera nas três modalidades simultaneamente: parece algo (ícone), indica algo (índice) e convenciona algo (símbolo).

A maçã da Apple começou como ícone (semelhança com uma maçã real), mas a mordida a transformou em índice (indica conhecimento, remete ao fruto bíblico, marca uma ação). Décadas de uso a consolidaram como símbolo puro: hoje, a forma opera independentemente de qualquer referência à fruta original. A história de um logo pode ser lida como a migração progressiva do ícone ao símbolo. Essa migração é o que distingue signos de marca funcionais de signos decorativos.

Floch: o visual como sistema de valores

Jean-Marie Floch trouxe a semiótica greimasiana para dentro do mundo da marca com uma precisão que nenhum teórico anterior havia alcançado. Em Visual Identities (1995) e Sémiotique, marketing et communication (1990), Floch demonstrou que a identidade visual de uma marca pode ser analisada como um sistema de invariantes e variáveis: elementos que permanecem estáveis ao longo de todas as manifestações (invariantes) e elementos que se adaptam a cada contexto (variáveis).

A análise que Floch fez da identidade visual do metrô de Paris permanece um caso canônico. Ele identificou que a coerência visual do sistema não dependia de repetir sempre os mesmos elementos, mas de manter relações constantes entre formas, proporções e contrastes. O azul do mapa, a tipografia dos nomes de estação, a sinalização direcional: cada elemento operava de forma diferente em cada contexto, mas mantinha uma relação estrutural estável com os demais.

Para marcas, Floch revelou algo que o branding operacional frequentemente ignora: a consistência visual que importa é estrutural, relacional, e essa consistência existe no nível das relações entre elementos (proporções, contrastes, ritmos), e pode sobreviver a mudanças radicais nos elementos individuais. Uma marca pode trocar toda a sua paleta de cores e manter sua identidade visual se as relações entre os novos elementos preservarem a mesma lógica semiótica. Isso explica por que a cor isolada nunca carrega o significado que os infográficos de psicologia das cores prometem: o significado cromático emerge do sistema, e muda quando o sistema muda.

Floch também aplicou ao branding visual seu modelo das quatro axiologias de consumo (prática, utópica, crítica, lúdica), demonstrando que o estilo visual de uma campanha pode ser mapeado no quadrado semiótico. Uma campanha fotográfica naturalista, com luz ambiente e cenários reais, posiciona-se no eixo prático. Uma campanha com imagens oníricas, saturação cromática exagerada e composições surreais posiciona-se no eixo utópico. A posição visual no quadrado é verificável e comparável.

Groupe Mu: a retórica do signo plástico

O coletivo belga Groupe Mu (Francis Edeline, Jean-Marie Klinkenberg e Philippe Minguet) publicou em 1992 o Traité du signe visuel, que Göran Sonesson comparou ao Cours de linguistique générale de Saussure em termos de importância fundacional. A contribuição do Groupe Mu foi distinguir dois tipos de signos visuais que operam simultaneamente em qualquer imagem: o signo icônico (que representa por semelhança com objetos reconhecíveis) e o signo plástico (que significa por meio de forma, cor, textura e composição, independentemente de representar algo reconhecível).

Essa distinção é a ferramenta que faltava para analisar identidades visuais com precisão. Quando olhamos para o logo do Banco Itaú, o signo icônico é fraco (a pedra estilizada requer contexto para ser reconhecida), mas o signo plástico é poderoso: a forma retangular com cantos arredondados, o contraste laranja-azul, a proporção entre área colorida e espaço vazio. Esses elementos plásticos produzem significação antes e independentemente de qualquer reconhecimento figurativo.

O Groupe Mu sistematizou as figuras de retórica visual com o mesmo rigor que a retórica clássica aplicou às figuras de linguagem. Uma metáfora visual opera por substituição de um elemento por outro com base em semelhança. Uma metonímia visual opera por contiguidade. Uma hipérbole visual opera por amplificação. Essas figuras são verificáveis em qualquer peça de comunicação de marca, e sua identificação permite entender por que certas composições produzem mais impacto que outras.

Arnheim: a percepção como cognição visual

Rudolf Arnheim, em Art and Visual Perception (1954) e Visual Thinking (1969), argumentou que a percepção visual é, em si mesma, uma forma de pensamento. Baseado nos princípios da Gestalt (proximidade, semelhança, continuidade, fechamento, pregnância), Arnheim demonstrou que o olho humano organiza automaticamente o campo visual em estruturas significativas. Ver algo já é interpretá-lo.

Para o branding, a contribuição de Arnheim é dupla. Primeiro, ele demonstrou que o equilíbrio visual produz significações específicas: uma composição simétrica comunica estabilidade, formalidade, permanência; uma composição assimétrica comunica dinamismo, tensão, contemporaneidade. Segundo, ele mostrou que a simplicidade perceptual (pregnância, na terminologia da Gestalt) determina a memorabilidade de uma forma. Formas que o sistema perceptivo consegue reduzir a estruturas simples são retidas com mais facilidade. O swoosh da Nike, o arco do McDonald's, a maçã da Apple: formas de alta pregnância que o sistema perceptivo processa e armazena com esforço mínimo.

Arnheim conecta a semiótica visual à neurociência da percepção: os mesmos princípios que determinam como vemos são os que determinam como significamos. Uma marca que ignora a Gestalt está lutando contra a arquitetura do sistema visual humano.

Kandinsky: a sintaxe dos elementos fundamentais

Em Ponto e Linha sobre Plano (1926), Wassily Kandinsky desenvolveu algo que antecipa a gramática visual de Kress e van Leeuwen por sete décadas. Ele propôs que os elementos visuais fundamentais (ponto, linha, plano) possuem valores expressivos intrínsecos que operam independentemente de qualquer representação figurativa.

O ponto é tensão. A linha é o ponto em movimento, direção, força. O plano é o campo onde essas forças se organizam. Kandinsky demonstrou que uma linha horizontal comunica repouso; uma vertical, ascensão e firmeza; uma diagonal, dinamismo e instabilidade. Essas propriedades existem antes de qualquer interpretação cultural: são respostas perceptivas enraizadas na experiência física do corpo no espaço.

Para identidade visual de marca, Kandinsky oferece uma sintaxe elementar. O logo do Deutsche Bank (barra diagonal dentro de um quadrado) opera exatamente nessa lógica: a diagonal comunica crescimento e dinamismo, o quadrado comunica estabilidade e contenção. A tensão entre os dois elementos é a proposição visual da marca. Kandinsky chamaria isso de "composição como organização das forças vitais". No vocabulário do branding, chamamos de identidade visual. O mecanismo é o mesmo.

Semprini: da gramática à narrativa visual

Andrea Semprini, em A Marca Pós-Moderna (2006), situou a semiótica visual dentro de um modelo mais amplo de construção de identidade de marca. Para Semprini, a marca opera em três níveis simultâneos: axiológico (valores profundos), narrativo (como esses valores se desdobram em histórias) e discursivo (como essas histórias se manifestam em elementos concretos, incluindo os visuais).

O visual de marca, para Semprini, é a superfície discursiva de uma estrutura narrativa e axiológica mais profunda. Uma paleta de cores, um estilo fotográfico, uma tipografia: esses elementos são a manifestação visível de valores que operam em camadas inferiores. Quando a Hermès usa fotografias com iluminação natural, texturas artesanais e composições que evocam natureza morta clássica, ela está manifestando visualmente seus valores axiológicos de tradição, excelência artesanal e atemporalidade.

A contribuição de Semprini é demonstrar que a análise da gramática visual isolada é insuficiente. A gramática precisa ser lida como expressão de uma estrutura de significação mais profunda. Cor, forma e composição produzem sentido, sim, mas o sentido que produzem precisa ser coerente com o projeto semiótico total da marca.

Framework: as cinco camadas da gramática visual de marca

A partir dos autores apresentados, é possível construir um framework de análise que integra suas contribuições em um modelo operacional. A gramática visual de marca pode ser analisada em cinco camadas, da mais elementar à mais complexa.

As cinco camadas da gramática visual de marca
CamadaAnáliseReferência teórica
1. Elementos plásticosPonto, linha, plano, cor, textura. Propriedades expressivas intrínsecas dos elementos fundamentais.Kandinsky, Groupe Mu
2. Organização perceptivaComo os elementos são agrupados pela percepção. Equilíbrio, pregnância, tensão visual.Arnheim, Gestalt
3. Gramática composicionalMetafunções representacional, interativa e composicional. Estrutura e relações.Kress & van Leeuwen
4. Códigos conotativosConotações culturais ativadas pelas escolhas visuais. Retórica da imagem.Barthes, Groupe Mu
5. Sistema axiológicoValores profundos manifestados visualmente. Invariantes e variáveis da identidade.Floch, Semprini

As camadas operam de baixo para cima, do perceptivo ao cultural. Cada camada constrange e habilita a seguinte. Uma marca cujos elementos plásticos (camada 1) comunicam dinamismo e ruptura, mas cujo sistema axiológico (camada 5) é de tradição e permanência, tem um problema de coerência que nenhuma pesquisa de brand tracking vai detectar. A análise semiótica visual detecta porque lê as camadas em relação umas com as outras.

Como aplicar o framework

  1. Coletar: reunir todas as manifestações visuais da marca (logo, embalagens, campanhas, ponto de venda, digital). Quantidade importa. Floch insistia em corpora extensos.
  2. Segmentar: identificar os elementos plásticos recorrentes (cores, formas, texturas, proporções) e os elementos icônicos (figuras, objetos, cenários).
  3. Mapear relações: usando Kress e van Leeuwen, analisar como os elementos estão organizados em cada peça. Que metafunção domina? Representacional (o que mostramos), interativa (como nos relacionamos com o observador) ou composicional (como organizamos o espaço)?
  4. Identificar invariantes: seguindo Floch, separar o que permanece constante de peça para peça (invariantes) do que muda (variáveis). As invariantes definem a identidade visual real, que nem sempre corresponde ao que o brand book declara.
  5. Testar coerência vertical: verificar se as cinco camadas estão alinhadas. Elementos plásticos sustentam a mesma leitura que os códigos conotativos? Os códigos conotativos são coerentes com o sistema axiológico declarado?

O que muda quando se tem uma gramática

Sem gramática visual, decisões de marca são validadas por gosto pessoal ("achei bonito"), por convenção de categoria ("bancos usam azul") ou por pesquisa declarativa ("os consumidores disseram que preferem"). Cada uma dessas formas de validação é limitada. Gosto pessoal é idiossincrático. Convenção de categoria produz homogeneidade. Pesquisa declarativa captura preferência consciente, que é apenas a superfície da significação visual.

Com gramática visual, decisões de marca passam a ser analisáveis e argumentáveis no nível do sistema de significação. "Usamos azul" deixa de ser uma escolha e se torna uma proposição que pode ser examinada: que azul, em que relação com que outros elementos, produzindo que conotações, dentro de que sistema axiológico? A gramática transforma gosto em argumento e intuição em método.

O objetivo final é que a identidade visual de marca opere como linguagem: com gramática suficiente para ser consistente, mas com flexibilidade suficiente para significar em contextos diferentes sem perder coerência. Barthes mostrou que toda imagem comunica em camadas. Kress e van Leeuwen mostraram que essa comunicação tem regras. Floch mostrou que as regras formam um sistema. O trabalho de quem constrói marcas é dominar esse sistema. Não decorá-lo. Não imitá-lo. Dominá-lo.

Referências

  • Barthes, Roland. Rhétorique de l'image. Communications, nº 4, 1964.
  • Kress, Gunther; van Leeuwen, Theo. Reading Images: The Grammar of Visual Design. Routledge, 1996 (3ª ed., 2021).
  • Floch, Jean-Marie. Visual Identities. Continuum, 1995.
  • Floch, Jean-Marie. Sémiotique, marketing et communication. PUF, 1990.
  • Groupe Mu. Traité du signe visuel: pour une rhétorique de l'image. Seuil, 1992.
  • Arnheim, Rudolf. Art and Visual Perception: A Psychology of the Creative Eye. University of California Press, 1954 (rev. 1974).
  • Arnheim, Rudolf. Visual Thinking. University of California Press, 1969.
  • Peirce, Charles Sanders. Collected Papers. Harvard University Press, 1931-1958.
  • Kandinsky, Wassily. Punkt und Linie zu Fläche. Bauhaus Bücher, 1926.
  • Semprini, Andrea. A Marca Pós-Moderna: Poder e Fragilidade da Marca na Sociedade Contemporânea. Estação das Letras, 2006.

The problem with how brands treat the visual

In branding meetings worldwide, visual decisions are justified with phrases like "it conveys modernity" or "it transmits trust." Blue "works" for banks. Sans-serif type "communicates innovation." White space "is premium." These statements have the structure of rules but the substance of superstition. They lack what Gunther Kress and Theo van Leeuwen called, in Reading Images (1996), visual grammar: an organized system of semiotic resources with rules of combination, hierarchy, and signification that operate independently of verbal language.

A brand's visual output produces meaning. It produces meaning with the same systematicity that sentence syntax produces meaning. And just as an ungrammatical sentence communicates something (confusion, strangeness, error), an inconsistent visual system communicates semiotic disorganization. The problem with contemporary branding is treating the visual as decoration when it operates as language.

Every image is a visual proposition. The question is whether whoever produced it knows what it is asserting.

Barthes and the discovery of the visual code

Roland Barthes published "Rhétorique de l'image" in 1964. The essay analyzed a Panzani advertisement: pasta packets, tomatoes, peppers, a mushroom, all spilling from a string bag against a red-yellow-green background. Barthes identified three simultaneous messages operating in that image.

The first was the linguistic message: the name Panzani, whose sound evoked Italianness. The second was the denoted message: the photographed objects themselves, real tomatoes, real pasta, a return from the market. The third, and most productive for branding, was the connoted message: the composition, the colors of the Italian flag, the arrangement evoking Renaissance still life, the idea of freshness and authenticity that none of those elements verbally declared but that all of them together constructed.

Barthes's contribution was to demonstrate that the advertising image operates in simultaneous layers of signification, and that the connotative layer functions through cultural codes that the viewer decodes without awareness of the process. When Barthes says the image has a rhetoric, he means there is a system of choices that produces visual persuasion. That system can be analyzed.

For brands, the implication is direct: every visual choice (color, composition, framing, texture) activates denotation and connotation codes simultaneously. A brand that controls only denotation (what it shows) without controlling connotation (what it evokes) is operating blind in the more powerful half of visual communication.

Kress and van Leeuwen: the missing grammar

If Barthes opened the door, Kress and van Leeuwen built the edifice. Reading Images: The Grammar of Visual Design did for the visual what Halliday's functional grammar did for language: it systematized signification resources into three simultaneous metafunctions.

The representational metafunction addresses what the image shows: participants, processes, circumstances. Who acts? Who receives the action? Is there a vector (a line of action) connecting participants, or are they arranged in taxonomic classification? A brand photo where the product is in action (a hand holding, a body in movement) produces a narrative structure. A photo where the product appears isolated, centered, categorized, produces a conceptual structure. The choice between narrative and conceptual is already a signification decision.

The interactive metafunction addresses the relationship between the image and the viewer. Three variables operate here. Contact: a person looking directly at the camera makes a "demand," requires a relationship; a person photographed in profile or without direct gaze makes an "offer," presents themselves as an object of contemplation. Social distance: close-up creates intimacy, wide shot creates distance. Angle: frontal implies involvement, oblique implies disconnection; high angle gives power to the viewer, low angle gives power to the represented object.

The compositional metafunction addresses how elements are organized in visual space. Kress and van Leeuwen identified three systems operating here: information value (left = given/known, right = new; top = ideal, bottom = real), salience (size, color, focus, contrast that hierarchize attention), and framing (lines, borders, spaces that connect or separate elements).

The three visual metafunctions (Kress & van Leeuwen)
MetafunctionQuestionVariables
RepresentationalWhat does the image show?Narrative vs. conceptual, vectors, classification
InteractiveWhat relationship does it propose to the viewer?Contact, distance, angle, power
CompositionalHow are elements organized?Information value, salience, framing

For brand work, this framework transforms intuition into analysis. When an art director centers the logo, expands white space, and uses a slightly low angle for the product, they are producing specific significations: importance (salience), distance (open framing), object power (angle). Knowing how to name these operations is the difference between repeating category formulas and building a proprietary grammar.

Peirce: icon, index, symbol in brand visual territory

Charles Sanders Peirce offered a taxonomy that operates at a different but complementary level. His trichotomy classifies signs by the relationship between representamen and object: icon (relationship of resemblance), index (relationship of contiguity or causality), and symbol (conventional, arbitrary relationship).

In visual branding, these categories function as layers of the same artifact. The Nike swoosh is simultaneously an icon (it evokes speed through its aerodynamic shape), an index (it points to movement, displacement), and a symbol (by cultural convention, it represents the Nike brand and the entire universe of meanings accumulated through decades of use). Peircean classification reveals that an effective logo operates in all three modes simultaneously: it looks like something (icon), it indicates something (index), and it conventionalizes something (symbol).

The Apple logo began as an icon (resemblance to a real apple), but the bite transformed it into an index (it indicates knowledge, references the biblical fruit, marks an action). Decades of use consolidated it as a pure symbol: today, the form operates independently of any reference to the original fruit. A logo's history can be read as the progressive migration from icon to symbol. This migration is what distinguishes functional brand signs from decorative ones.

Floch: the visual as a value system

Jean-Marie Floch brought Greimasian semiotics into the brand world with a precision no previous theorist had achieved. In Visual Identities (1995) and Sémiotique, marketing et communication (1990), Floch demonstrated that a brand's visual identity can be analyzed as a system of invariants and variables: elements that remain stable across all manifestations (invariants) and elements that adapt to each context (variables).

Floch's analysis of the Paris metro's visual identity remains a canonical case. He identified that the system's visual coherence did not depend on always repeating the same elements but on maintaining constant relationships between forms, proportions, and contrasts. The blue of the map, the typography of station names, the directional signage: each element operated differently in each context but maintained a structural relationship stable with the others.

For brands, Floch revealed something that operational branding frequently ignores: the visual consistency that matters is structural, relational, and it exists at the level of relationships between elements (proportions, contrasts, rhythms). It can survive radical changes in individual elements. A brand can replace its entire color palette and maintain its visual identity if the relationships between the new elements preserve the same semiotic logic.

Floch also applied to visual branding his model of four consumption axiologies (practical, utopian, critical, ludic), demonstrating that the visual style of a campaign can be mapped on the semiotic square. A naturalistic photographic campaign with ambient light and real settings positions itself on the practical axis. A campaign with dreamlike images, exaggerated chromatic saturation, and surreal compositions positions itself on the utopian axis. The visual position on the square is verifiable and comparable.

Groupe Mu: the rhetoric of the plastic sign

The Belgian collective Groupe Mu (Francis Edeline, Jean-Marie Klinkenberg, and Philippe Minguet) published in 1992 the Traité du signe visuel, which Göran Sonesson compared to Saussure's Cours de linguistique générale in terms of foundational importance. Groupe Mu's contribution was distinguishing two types of visual signs that operate simultaneously in any image: the iconic sign (which represents by resemblance to recognizable objects) and the plastic sign (which signifies through form, color, texture, and composition, independently of representing something recognizable).

This distinction is the missing tool for analyzing visual identities with precision. When we look at the Itaú Bank logo, the iconic sign is weak (the stylized stone requires context to be recognized), but the plastic sign is powerful: the rectangular shape with rounded corners, the orange-blue contrast, the proportion between colored area and empty space. These plastic elements produce signification before and independently of any figurative recognition.

Groupe Mu systematized visual rhetoric figures with the same rigor that classical rhetoric applied to figures of speech. A visual metaphor operates by substitution of one element for another based on resemblance. A visual metonymy operates by contiguity. A visual hyperbole operates by amplification. These figures are verifiable in any brand communication piece, and their identification allows understanding why certain compositions produce more impact than others.

Arnheim: perception as visual cognition

Rudolf Arnheim, in Art and Visual Perception (1954) and Visual Thinking (1969), argued that visual perception is, in itself, a form of thought. Based on Gestalt principles (proximity, similarity, continuity, closure, prägnanz), Arnheim demonstrated that the human eye automatically organizes the visual field into meaningful structures. To see something is already to interpret it.

For branding, Arnheim's contribution is twofold. First, he demonstrated that visual balance produces specific significations: a symmetrical composition communicates stability, formality, permanence; an asymmetrical composition communicates dynamism, tension, contemporaneity. Second, he showed that perceptual simplicity (prägnanz, in Gestalt terminology) determines a form's memorability. Forms that the perceptual system can reduce to simple structures are retained more easily. The Nike swoosh, the McDonald's arch, the Apple logo: forms of high prägnanz that the perceptual system processes and stores with minimal effort.

Arnheim connects visual semiotics to the neuroscience of perception: the same principles that determine how we see are those that determine how we signify. A brand that ignores Gestalt is fighting against the architecture of the human visual system.

Kandinsky: the syntax of fundamental elements

In Point and Line to Plane (1926), Wassily Kandinsky developed something that anticipates Kress and van Leeuwen's visual grammar by seven decades. He proposed that fundamental visual elements (point, line, plane) possess intrinsic expressive values that operate independently of any figurative representation.

The point is tension. The line is the point in motion, direction, force. The plane is the field where these forces organize. Kandinsky demonstrated that a horizontal line communicates repose; a vertical, ascension and firmness; a diagonal, dynamism and instability. These properties exist prior to any cultural interpretation: they are perceptual responses rooted in the physical experience of the body in space.

For brand visual identity, Kandinsky offers an elementary syntax. The Deutsche Bank logo (diagonal bar inside a square) operates exactly in this logic: the diagonal communicates growth and dynamism, the square communicates stability and containment. The tension between the two elements is the brand's visual proposition. Kandinsky would call this "composition as organization of vital forces." In branding vocabulary, we call it visual identity. The mechanism is the same.

Semprini: from grammar to visual narrative

Andrea Semprini, in The Postmodern Brand (2006), situated visual semiotics within a broader model of brand identity construction. For Semprini, the brand operates at three simultaneous levels: axiological (deep values), narrative (how those values unfold into stories), and discursive (how those stories manifest in concrete elements, including visual ones).

Brand visuals, for Semprini, are the discursive surface of a deeper narrative and axiological structure. A color palette, a photographic style, a typeface: these elements are the visible manifestation of values operating in lower layers. When Hermès uses photographs with natural lighting, artisanal textures, and compositions evoking classical still life, it is visually manifesting its axiological values of tradition, artisanal excellence, and timelessness.

Semprini's contribution is demonstrating that the analysis of visual grammar in isolation is insufficient. The grammar must be read as the expression of a deeper signification structure. Color, form, and composition produce meaning, yes, but the meaning they produce must be coherent with the brand's total semiotic project.

Framework: the five layers of brand visual grammar

From the authors presented, it is possible to build an analytical framework that integrates their contributions into an operational model. Brand visual grammar can be analyzed in five layers, from the most elementary to the most complex.

The five layers of brand visual grammar
LayerAnalysisTheoretical reference
1. Plastic elementsPoint, line, plane, color, texture. Intrinsic expressive properties of fundamental elements.Kandinsky, Groupe Mu
2. Perceptual organizationHow elements are grouped by perception. Balance, prägnanz, visual tension.Arnheim, Gestalt
3. Compositional grammarRepresentational, interactive, and compositional metafunctions. Structure and relations.Kress & van Leeuwen
4. Connotative codesCultural connotations activated by visual choices. Image rhetoric.Barthes, Groupe Mu
5. Axiological systemDeep values manifested visually. Identity invariants and variables.Floch, Semprini

The layers operate from bottom to top, from the perceptual to the cultural. Each layer constrains and enables the next. A brand whose plastic elements (layer 1) communicate dynamism and disruption, but whose axiological system (layer 5) is about tradition and permanence, has a coherence problem that no brand tracking research will detect. Semiotic visual analysis detects it because it reads the layers in relation to each other.

How to apply the framework

  1. Collect: gather all brand visual manifestations (logo, packaging, campaigns, point of sale, digital). Quantity matters. Floch insisted on extensive corpora.
  2. Segment: identify recurring plastic elements (colors, shapes, textures, proportions) and iconic elements (figures, objects, settings).
  3. Map relationships: using Kress and van Leeuwen, analyze how elements are organized in each piece. Which metafunction dominates? Representational (what we show), interactive (how we relate to the viewer), or compositional (how we organize space)?
  4. Identify invariants: following Floch, separate what remains constant from piece to piece (invariants) from what changes (variables). The invariants define the actual visual identity, which does not always correspond to what the brand book declares.
  5. Test vertical coherence: verify whether the five layers are aligned. Do plastic elements sustain the same reading as connotative codes? Are connotative codes coherent with the declared axiological system?

What changes when you have a grammar

Without visual grammar, brand decisions are validated by personal taste ("I liked it"), by category convention ("banks use blue"), or by declarative research ("consumers said they prefer"). Each of these validation forms is limited. Personal taste is idiosyncratic. Category convention produces homogeneity. Declarative research captures conscious preference, which is only the surface of visual signification.

With visual grammar, brand decisions become analyzable and arguable at the level of the signification system. "We use blue" ceases to be a choice and becomes a proposition that can be examined: which blue, in what relationship with what other elements, producing what connotations, within what axiological system? Grammar transforms taste into argument and intuition into method.

The ultimate goal is for brand visual identity to operate as language: with enough grammar to be consistent, but with enough flexibility to signify in different contexts without losing coherence. Barthes showed that every image communicates in layers. Kress and van Leeuwen showed that this communication has rules. Floch showed that the rules form a system. The work of those who build brands is to master that system. Not to memorize it. Not to imitate it. To master it.

References

  • Barthes, Roland. Rhétorique de l'image. Communications, no. 4, 1964.
  • Kress, Gunther; van Leeuwen, Theo. Reading Images: The Grammar of Visual Design. Routledge, 1996 (3rd ed., 2021).
  • Floch, Jean-Marie. Visual Identities. Continuum, 1995.
  • Floch, Jean-Marie. Sémiotique, marketing et communication. PUF, 1990.
  • Groupe Mu. Traité du signe visuel: pour une rhétorique de l'image. Seuil, 1992.
  • Arnheim, Rudolf. Art and Visual Perception: A Psychology of the Creative Eye. University of California Press, 1954 (rev. 1974).
  • Arnheim, Rudolf. Visual Thinking. University of California Press, 1969.
  • Peirce, Charles Sanders. Collected Papers. Harvard University Press, 1931-1958.
  • Kandinsky, Wassily. Punkt und Linie zu Fläche. Bauhaus Bücher, 1926.
  • Semprini, Andrea. The Postmodern Brand: Power and Fragility of the Brand in Contemporary Society. Estação das Letras, 2006.

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