Denotação e Conotação: O Mecanismo Que Separa Marcas com Significado de Marcas com Logo

Toda marca opera em dois registros simultâneos de significação. A maioria dos estrategistas só enxerga o primeiro. O segundo, descrito por Barthes e formalizado por Hjelmslev, é onde o território de marca se constrói ou se dissolve.

Denotação e conotação de marca são o mecanismo semiótico que determina se uma marca produz significado cultural ou apenas informa atributos de produto. A diferença entre as duas operações é a diferença entre uma marca que existe como signo vivo na cultura e uma marca que existe como rótulo sobre uma embalagem.

O conceito vem de Louis Hjelmslev (Prolegomena to a Theory of Language, 1943) e foi expandido por Roland Barthes (Mythologies, 1957; Éléments de Sémiologie, 1964). A formulação é técnica: a conotação é um sistema semiótico cujo plano de expressão já é, ele próprio, um sistema semiótico. Em termos menos abstratos: a conotação pega o signo completo da denotação (significante + significado) e o transforma em significante para um novo significado. Uma operação de segunda ordem.

A maioria dos profissionais de marca usa "conotação" como sinônimo impreciso de "associação emocional". Essa imprecisão custa caro. Porque quando se entende o mecanismo real, entende-se por que certas marcas acumulam camadas de significado que concorrentes não replicam, e por que outras, apesar de investimento massivo em comunicação, nunca saem do registro denotativo.

O Modelo de Hjelmslev: Onde Tudo Começa

Hjelmslev, linguista dinamarquês e fundador da glossemática, propôs em 1943 uma distinção que Saussure tinha esboçado sem formalizar. Todo sistema semiótico opera em dois planos: o plano da expressão (o lado material do signo) e o plano do conteúdo (o lado conceitual). Até aqui, Saussure concordaria. O salto de Hjelmslev foi identificar que existem sistemas semióticos construídos sobre outros sistemas semióticos.

Uma semiótica denotativa é o sistema de base. O plano de expressão se conecta a um plano de conteúdo de forma relativamente direta. A palavra "cadeira" se conecta ao conceito de cadeira. Uma garrafa de cerveja se conecta ao conceito de cerveja. O signo opera em primeira ordem.

Uma semiótica conotativa é diferente: seu plano de expressão já é um signo completo da semiótica denotativa. A garrafa de cerveja (signo denotativo completo: objeto + conceito "cerveja") se torna o significante para um novo significado: relaxamento, masculinidade, pertencimento social, ritual de fim de expediente. A operação é de sobreposição. O signo denotativo inteiro vira matéria-prima para o signo conotativo.

Hjelmslev chamou esse segundo sistema de "semiótica conotativa" e identificou um terceiro nível: a metassemiótica, cujo plano de conteúdo já é um sistema semiótico (a linguística falando sobre a própria linguagem). Barthes ignorou o terceiro nível para fins de análise cultural e concentrou toda sua energia no segundo: a conotação como motor de produção de mito.

Modelo de significação em dois níveis

1ª ORDEM (Denotação)
Significante + Significado = SIGNO
Ex.: Garrafa verde, rótulo "Heineken" → cerveja lager holandesa

2ª ORDEM (Conotação)
[SIGNO denotativo inteiro] se torna novo Significante
Novo Significante + Novo Significado = SIGNO CONOTATIVO
Ex.: [Heineken] → cosmopolitismo, sofisticação urbana, socialização premium

3ª ORDEM (Mito, cf. Barthes)
[SIGNO conotativo] se naturaliza como verdade cultural
Ex.: "Beber Heineken é o que pessoas sofisticadas fazem" → aceito como dado, não como construção

Barthes e a Mecânica da Conotação

Roland Barthes usou o modelo de Hjelmslev para destrinchar como a cultura de massa produz significado. Em Mythologies (1957), analisou desde a luta livre até o bife com batata frita, revelando que cada objeto cotidiano carrega uma segunda camada de significação que opera abaixo do limiar da consciência crítica do espectador.

O ensaio "Retórica da Imagem" (Communications, 1964) é o texto mais relevante para quem trabalha com marca. Barthes analisou um anúncio da Panzani (marca italiana de massas) e decompôs três tipos de mensagem: a mensagem linguística (o texto verbal), a mensagem icônica codificada (a conotação visual) e a mensagem icônica não codificada (a denotação visual).

O anúncio mostrava uma sacola de compras aberta com pacotes de massa, molho de tomate, pimentão e cebola, tudo saindo da sacola contra um fundo vermelho e verde. A denotação é o que qualquer pessoa vê: produtos alimentícios dispostos sobre uma superfície. A conotação é o que a composição produz: italianidade. As cores da bandeira italiana, o nome próprio "Panzani" com sonoridade italiana, os ingredientes de uma receita mediterrânea. Nenhum desses signos conotativos está escrito explicitamente. Eles operam pela composição, pela escolha, pelo arranjo.

Barthes chamou essa produção de "conotadores": os significantes da conotação. São elementos do plano de expressão denotativo que, combinados, ativam um plano de conteúdo conotativo. A cor verde do rótulo Heineken é um conotador. A tipografia manuscrita do logo Coca-Cola é um conotador. O espaço em branco generoso de uma peça da Apple é um conotador. Nenhum desses elementos "diz" o que conota. Eles produzem significado pela forma como estão organizados dentro do sistema.

E aqui está o ponto que muda a prática de marca: Barthes demonstrou que os conotadores são descontínuos. Eles não formam uma sequência linear como uma frase. São fragmentos dispersos pelo plano de expressão denotativo que o receptor sintetiza em uma leitura conotativa única. O receptor não analisa cada fragmento separadamente. Ele apreende o conjunto como um bloco semântico. Por isso a conotação é tão eficaz: ela opera antes da análise racional. E por isso é tão difícil de copiar: não basta replicar um conotador isolado.

O Caso Patagonia: Conotação Ambiental como Sistema

Se existe uma marca contemporânea que demonstra o mecanismo conotativo operando em estado puro, é a Patagonia. Analisar a Patagonia pelo modelo Barthes-Hjelmslev revela por que a marca construiu um território que a concorrência observa sem conseguir reproduzir.

Plano denotativo: Patagonia fabrica e vende roupas e equipamentos para atividades ao ar livre. Jaquetas, mochilas, sacos de dormir, botas. Produtos com especificações técnicas verificáveis. Tecidos Gore-Tex, isolamento PrimaLoft, costuras seladas. Essa é a primeira ordem de significação. Produto. Função. Desempenho.

Plano conotativo: tudo na marca opera como conotador de uma posição ética-ambiental. O logo (a silhueta da cordilheira patagônica em Fitz Roy) conota wilderness, fronteira, o que restou de natureza intocada. A paleta de cores (terrosos, verdes apagados, azul-cinza) conota organicidade e recusa do artificial. A tipografia é funcional, sem decoração, conotando pragmatismo (quem trabalha de verdade para proteger o planeta não perde tempo com floreios estéticos). As campanhas "Don't Buy This Jacket" (2011) e "The President Stole Your Land" (2017) são conotadores extremos: uma marca que pede para o consumidor comprar menos é uma marca que está dizendo que seus valores são maiores que seu faturamento.

Em 2022, o fundador Yvon Chouinard transferiu a propriedade da empresa para um trust dedicado ao combate às mudanças climáticas. A decisão denotativa é uma reestruturação societária. O efeito conotativo é uma declaração de que a empresa inteira existe como instrumento ambiental que produz roupas como efeito colateral. A hierarquia de significação se inverteu: o produto virou veículo para a causa, e a causa virou a substância da marca.

Byron Sharp e Jenni Romaniuk (How Brands Grow, 2010; Building Distinctive Brand Assets, 2018) argumentariam que o sucesso da Patagonia se deve à disponibilidade mental: a marca vem à mente em situações de compra específicas. Essa leitura é correta, porém incompleta. A pergunta de Sharp (o quê vem à mente) precisa da resposta de Barthes (por que esse significado específico, e não outro, se cristalizou). A disponibilidade mental é o resultado mensurável. A conotação é o mecanismo que o produz.

A prova de que o mecanismo conotativo está operando é a impossibilidade de réplica por atributos denotativos. North Face vende produtos tecnicamente comparáveis. Columbia também. Ambas têm linhas sustentáveis. Nenhuma das duas acessa o território semiótico da Patagonia, porque o território não vive nos atributos do produto. Vive na segunda ordem de significação. E a segunda ordem exige coerência sistêmica entre todos os conotadores, mantida durante décadas.

Natura e O Boticário: Denotação Similar, Conotação Divergente

Para ver o mecanismo operando em território brasileiro, compare Natura e O Boticário. No plano denotativo, a sobreposição é extensa: ambas vendem cosméticos, perfumaria, produtos de cuidado pessoal e maquiagem. As categorias de produto são quase idênticas. As faixas de preço se sobrepõem em múltiplos SKUs. Em termos denotativos puros, um consumidor alienígena não distinguiria uma da outra.

No plano conotativo, operam em quadrantes opostos. Natura construiu um sistema de conotadores que produz "brasilidade ecológica": ingredientes da Amazônia (cupuaçu, castanha, açaí), paleta de cores terrosas e orgânicas, embalagens com menos plástico virgem, comunicação que conecta cuidado pessoal a cuidado ambiental. O nome próprio "Natura" já é um conotador etimológico. A venda direta por consultoras conota relação humana, comunidade, vínculo. O programa Carbono Neutro (desde 2007) e a certificação B Corp (desde 2014) são conotadores institucionais que reforçam o sistema.

O Boticário opera com outro sistema de conotadores. A arquitetura das lojas (vitrines iluminadas, expositores com acabamento premium, atendentes uniformizadas) conota experiência sensorial de luxo acessível. As linhas Malbec, Egeo e Lily operam com nomes que conotam sofisticação internacional. As campanhas priorizam resultado estético: antes e depois, textura, brilho, performance do produto sobre a pele. A conotação acumulada é "laboratório de beleza". Ciência a serviço da vaidade legítima.

O que Ferdinand de Saussure (Cours de Linguistique Générale, 1916) chamou de valor diferencial opera aqui com precisão cirúrgica. O significado de cada marca é produzido pela oposição à outra. "Natura" ganha nitidez semiótica porque "O Boticário" existe, e vice-versa. Se removêssemos uma das duas do mercado, a outra perderia parte do seu poder conotativo, porque a conotação depende do sistema de diferenças em que o signo está inserido.

Kapferer (The New Strategic Brand Management, 2012) descreveria a diferença entre as duas como "identidade de marca". E estaria correto. O Prisma de Identidade de Kapferer mapeia personalidade, cultura, autoimagem e reflexo. Cada um desses elementos, traduzido para a terminologia barthesiana, é um eixo de produção conotativa. Quando Kapferer diz que a "cultura" da marca é um dos seis facetas da identidade, está dizendo que a marca produz conotações culturais sistêmicas. O vocabulário é diferente, a operação é idêntica.

O Erro Estratégico: Confundir Denotação com Posicionamento

A maioria das estratégias de posicionamento opera exclusivamente no registro denotativo. "Somos a marca com melhor custo-benefício." "Nosso produto tem a maior durabilidade do mercado." "Lideramos em inovação tecnológica." Cada uma dessas afirmações é denotativa: descreve um atributo verificável (ou supostamente verificável) do produto ou serviço.

O problema é que atributos denotativos são replicáveis. Se o seu posicionamento vive no plano da denotação, qualquer concorrente com investimento suficiente em P&D ou manufatura pode ocupar a mesma posição. "Melhor custo-benefício" é uma corrida ao fundo. "Maior durabilidade" é uma especificação técnica que a próxima geração de produto do concorrente pode igualar. "Inovação tecnológica" é o posicionamento que toda empresa de tecnologia reivindica.

O posicionamento semioticamente robusto opera no plano conotativo. Volvo conota segurança. A denotação (o carro tem airbags, estrutura reforçada, sistemas de frenagem avançados) sustenta a conotação, mas o que o consumidor compra é o significado de segunda ordem: "sou o tipo de pessoa que prioriza a proteção da família". A denotação é condição necessária. A conotação é o que constrói território.

Greimas (Sémantique Structurale, 1966) formalizou isso com o conceito de isotopia: a recorrência de categorias sêmicas ao longo de um texto que garante coerência de leitura. Uma marca com isotopia conotativa forte é uma marca em que todos os pontos de contato reforçam a mesma leitura de segunda ordem. Cada touchpoint da Patagonia reforça a isotopia ambiental. Cada touchpoint de Natura reforça a isotopia de brasilidade ecológica. Quando um touchpoint contradiz a isotopia, a leitura conotativa se fragmenta, e a marca perde coerência semiótica antes de perder posição de mercado.

Romaniuk (Building Distinctive Brand Assets, 2018) traduz essa fragmentação para linguagem empírica: "ativos distintivos inconsistentes reduzem a atribuição correta da marca". Na linguagem de Barthes: conotadores incoerentes fragmentam a leitura de segunda ordem. O resultado mensurável é o mesmo. O diagnóstico, quando se tem o modelo completo, é mais preciso.

Framework: Auditoria de Níveis de Significação

Aplicar o modelo Hjelmslev-Barthes à prática de marca exige um protocolo de análise em quatro etapas. O objetivo é mapear onde a marca opera (denotação, conotação ou mito) e identificar lacunas, incoerências ou oportunidades de adensamento semiótico.

Protocolo de Auditoria Denotação/Conotação

  1. Mapeamento denotativo. Listar todos os significados de primeira ordem que a marca comunica: atributos do produto, especificações técnicas, funcionalidades, preço, distribuição. Perguntar: se removêssemos o nome da marca e o logo, o que o produto comunica por si mesmo? Esse inventário é o plano denotativo.
  2. Inventário de conotadores. Identificar os elementos do plano de expressão que produzem significados de segunda ordem. Tipografia, paleta cromática, tom de voz verbal, arquitetura de loja, sonoridade do nome, escolha de embaixadores, tipo de embalagem, política de preço como signo (preço premium conota exclusividade; preço agressivo conota democratização). Cada conotador é um fragmento que o receptor sintetiza em uma leitura global.
  3. Teste de coerência isotópica. Verificar se os conotadores identificados na etapa 2 produzem uma leitura conotativa unificada. O teste de Greimas é simples: existe uma categoria sêmica (um tema) recorrente em todos os conotadores? Se a resposta é "sustentabilidade", então o nome, a paleta, a embalagem, a comunicação e o modelo de negócio devem conotar sustentabilidade. Qualquer conotador que aponte para outro eixo (luxo ostensivo, velocidade, ruptura tecnológica) é uma quebra de isotopia que fragiliza a leitura.
  4. Diagnóstico de nível operacional. Com o mapa completo, classificar: a marca opera primariamente em qual nível? Marcas presas no denotativo competem por atributos. Marcas com sistema conotativo forte competem por significado. Marcas que atingiram o nível do mito (Barthes) naturalizaram sua conotação ao ponto de ela parecer um fato do mundo, e ali a vantagem competitiva é estrutural.

Peirce (Collected Papers, 1931-1958) acrescentaria um alerta: todo signo gera um interpretante, e esse interpretante é, ele próprio, um novo signo. A semiose é ilimitada. A conotação que a marca constrói hoje será reinterpretada pelo consumidor de amanhã em um contexto que o estrategista não controla. Uma marca que conota "sustentabilidade" em 2026 pode conotar "greenwashing" em 2028 se as práticas denotativas não acompanharem a promessa conotativa. Eco (A Theory of Semiotics, 1976) reforçou: os limites da interpretação existem, mas são culturais, não fixos. O trabalho de marca é de manutenção contínua da coerência entre os dois níveis.

Implicações Práticas: O Que Muda na Sua Estratégia

Primeiro: para de descrever atributos e começa a projetar conotadores. A pergunta estratégica não é "o que nosso produto faz?" (denotação). É "o que o conjunto dos nossos signos produz como leitura de segunda ordem?" (conotação). A resposta a essa pergunta define o território real da marca.

Segundo: audita a coerência entre níveis. A conotação só funciona quando sustentada pela denotação. Uma marca que conota "artesanalidade" e produz em escala industrial com acabamento genérico vai gerar uma dissonância que o consumidor detecta antes de conseguir verbalizar. Barthes chamou isso de "ancoragem" (Retórica da Imagem, 1964): o texto linguístico ancora a leitura da imagem. Na marca, a denotação ancora a conotação. Sem ancoragem, a conotação flutua e perde credibilidade.

Terceiro: mapeia a concorrência pelo nível de significação, não pelo portfólio de produtos. Sua concorrência real é quem opera no mesmo sistema conotativo, mesmo que venda produtos diferentes. Patagonia concorre semioticamente mais com Tesla (conotação de "capitalismo com propósito") do que com North Face (denotação de "roupas para outdoor"). O mapeamento por nível de significação revela concorrentes que a análise de mercado tradicional não enxerga.

Quarto: aceita que a conotação é temporal. O que conota "moderno" hoje conotará "datado" em cinco anos. O mecanismo não muda. Os conteúdos mudam. O trabalho do estrategista é manter o sistema de conotadores atualizado sem perder a isotopia que garante a legibilidade da marca. Kapferer (The New Strategic Brand Management, 2012) chama isso de "renovação dentro da continuidade". Barthes diria que o mito precisa de alimentação constante para não se desmitificar.

Quinto: testa a naturalização. Se o público acha que a marca "é" o que ela conota, o mito está operando. "Volvo é segurança" é mito naturalizado. "Apple é criatividade" é mito naturalizado. "Natura é sustentabilidade" está em processo de naturalização. Quando a conotação atinge o nível de mito, ela se torna invisível como construção. E é ali que a marca atinge vantagem competitiva estrutural, porque o concorrente não pode atacar algo que o público não reconhece como construção.

O modelo Hjelmslev-Barthes tem quase oito décadas. O fato de que a maioria dos estrategistas de marca opera sem ele é uma informação sobre o estado da profissão, sobre o quanto o mercado confunde gestão de atributos com construção de significado. A diferença entre as duas operações é a diferença entre ter um logo e ter uma marca.

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Denotation and Connotation: The Mechanism That Separates Brands with Meaning from Brands with a Logo

Every brand operates on two simultaneous registers of signification. Most strategists only see the first. The second, described by Barthes and formalized by Hjelmslev, is where brand territory is built or dissolved.

Brand denotation and connotation are the semiotic mechanism that determines whether a brand produces cultural meaning or merely informs product attributes. The difference between the two operations is the difference between a brand that exists as a living sign in culture and a brand that exists as a label on packaging.

The concept comes from Louis Hjelmslev (Prolegomena to a Theory of Language, 1943) and was expanded by Roland Barthes (Mythologies, 1957; Éléments de Sémiologie, 1964). The formulation is technical: connotation is a semiotic system whose expression plane is itself already a semiotic system. In less abstract terms: connotation takes the complete denotative sign (signifier + signified) and transforms it into a signifier for a new signified. A second-order operation.

Most brand professionals use "connotation" as an imprecise synonym for "emotional association." This imprecision is costly. Because when you understand the actual mechanism, you understand why certain brands accumulate layers of meaning that competitors cannot replicate, and why others, despite massive investment in communication, never leave the denotative register.

Hjelmslev's Model: Where It All Begins

Hjelmslev, a Danish linguist and founder of glossematics, proposed in 1943 a distinction that Saussure had sketched without formalizing. Every semiotic system operates on two planes: the expression plane (the material side of the sign) and the content plane (the conceptual side). So far, Saussure would agree. Hjelmslev's leap was identifying that semiotic systems can be built upon other semiotic systems.

A denotative semiotic is the base system. The expression plane connects to a content plane in a relatively direct manner. The word "chair" connects to the concept of chair. A beer bottle connects to the concept of beer. The sign operates in first order.

A connotative semiotic is different: its expression plane is already a complete sign from the denotative semiotic. The beer bottle (complete denotative sign: object + concept "beer") becomes the signifier for a new signified: relaxation, masculinity, social belonging, end-of-workday ritual. The operation is one of superposition. The entire denotative sign becomes raw material for the connotative sign.

Hjelmslev called this second system a "connotative semiotic" and identified a third level: the metasemiotic, whose content plane is already a semiotic system (linguistics speaking about language itself). Barthes ignored the third level for cultural analysis purposes and concentrated all his energy on the second: connotation as the engine of myth production.

Two-level signification model

1ST ORDER (Denotation)
Signifier + Signified = SIGN
Ex.: Green bottle, "Heineken" label → Dutch lager beer

2ND ORDER (Connotation)
[Entire denotative SIGN] becomes new Signifier
New Signifier + New Signified = CONNOTATIVE SIGN
Ex.: [Heineken] → cosmopolitanism, urban sophistication, premium socializing

3RD ORDER (Myth, cf. Barthes)
[Connotative SIGN] naturalizes as cultural truth
Ex.: "Drinking Heineken is what sophisticated people do" → accepted as given, not as construction

Barthes and the Mechanics of Connotation

Roland Barthes used Hjelmslev's model to dissect how mass culture produces meaning. In Mythologies (1957), he analyzed everything from wrestling to steak and fries, revealing that every everyday object carries a second layer of signification operating below the threshold of the spectator's critical consciousness.

The essay "Rhetoric of the Image" (Communications, 1964) is the most relevant text for brand practitioners. Barthes analyzed a Panzani advertisement (Italian pasta brand) and decomposed three types of message: the linguistic message (verbal text), the coded iconic message (visual connotation), and the non-coded iconic message (visual denotation).

The ad showed an open shopping bag with pasta packages, tomato sauce, bell pepper, and onion, all spilling out against a red and green background. Denotation is what anyone sees: food products arranged on a surface. Connotation is what the composition produces: Italianness. The colors of the Italian flag, the proper name "Panzani" with Italian sonority, the ingredients of a Mediterranean recipe. None of these connotative signs are explicitly written. They operate through composition, selection, arrangement.

Barthes called this production "connotators": the signifiers of connotation. They are elements of the denotative expression plane that, when combined, activate a connotative content plane. The green color of the Heineken label is a connotator. Coca-Cola's handwritten logo typography is a connotator. The generous white space in an Apple piece is a connotator. None of these elements "say" what they connote. They produce meaning through how they are organized within the system.

And here is the point that changes brand practice: Barthes demonstrated that connotators are discontinuous. They do not form a linear sequence like a sentence. They are fragments dispersed across the denotative expression plane that the receiver synthesizes into a single connotative reading. The receiver does not analyze each fragment separately. They apprehend the whole as a semantic block. This is why connotation is so effective: it operates before rational analysis. And this is why it is so hard to copy: replicating an isolated connotator is insufficient.

The Patagonia Case: Environmental Connotation as System

If there is a contemporary brand that demonstrates the connotative mechanism operating in its pure state, it is Patagonia. Analyzing Patagonia through the Barthes-Hjelmslev model reveals why the brand built a territory that competitors observe without being able to reproduce.

Denotative plane: Patagonia manufactures and sells clothing and equipment for outdoor activities. Jackets, backpacks, sleeping bags, boots. Products with verifiable technical specifications. Gore-Tex fabrics, PrimaLoft insulation, sealed seams. This is the first order of signification. Product. Function. Performance.

Connotative plane: everything in the brand operates as a connotator of an ethical-environmental position. The logo (the silhouette of the Patagonian Fitz Roy range) connotes wilderness, frontier, what remains of untouched nature. The color palette (earth tones, muted greens, gray-blue) connotes organicity and refusal of the artificial. The typography is functional, unadorned, connoting pragmatism (those who truly work to protect the planet don't waste time on aesthetic flourishes). The campaigns "Don't Buy This Jacket" (2011) and "The President Stole Your Land" (2017) are extreme connotators: a brand that asks consumers to buy less is a brand saying its values are greater than its revenue.

In 2022, founder Yvon Chouinard transferred company ownership to a trust dedicated to fighting climate change. The denotative reading is a corporate restructuring. The connotative effect is a declaration that the entire company exists as an environmental instrument that produces clothing as a side effect. The hierarchy of signification inverted: the product became a vehicle for the cause, and the cause became the brand's substance.

Byron Sharp and Jenni Romaniuk (How Brands Grow, 2010; Building Distinctive Brand Assets, 2018) would argue that Patagonia's success is due to mental availability: the brand comes to mind in specific buying situations. This reading is correct but incomplete. Sharp's question (what comes to mind) needs Barthes' answer (why this specific meaning, and not another, crystallized). Mental availability is the measurable result. Connotation is the mechanism that produces it.

The proof that the connotative mechanism is operating is the impossibility of replication through denotative attributes. North Face sells technically comparable products. Columbia does too. Both have sustainable lines. Neither accesses Patagonia's semiotic territory, because the territory does not live in product attributes. It lives in the second order of signification. And the second order requires systemic coherence among all connotators, maintained over decades.

Natura and O Boticário: Similar Denotation, Divergent Connotation

To see the mechanism operating in Brazilian territory, compare Natura and O Boticário. On the denotative plane, the overlap is extensive: both sell cosmetics, perfumery, personal care products, and makeup. Product categories are nearly identical. Price ranges overlap across multiple SKUs. In purely denotative terms, an alien consumer could not distinguish one from the other.

On the connotative plane, they operate in opposite quadrants. Natura built a system of connotators that produces "ecological Brazilianness": Amazonian ingredients (cupuaçu, Brazil nut, açaí), earthy and organic color palette, packaging with less virgin plastic, communication connecting personal care to environmental care. The proper name "Natura" is already an etymological connotator. Direct sales through consultants connotes human relationship, community, bonding. The Carbon Neutral program (since 2007) and B Corp certification (since 2014) are institutional connotators that reinforce the system.

O Boticário operates with a different connotator system. Store architecture (illuminated windows, premium-finish displays, uniformed attendants) connotes the sensory experience of accessible luxury. Lines like Malbec, Egeo, and Lily operate with names connoting international sophistication. Campaigns prioritize aesthetic results: before and after, texture, shine, product performance on skin. The accumulated connotation is "beauty laboratory." Science in service of legitimate vanity.

What Ferdinand de Saussure (Cours de Linguistique Générale, 1916) called differential value operates here with surgical precision. Each brand's meaning is produced by opposition to the other. "Natura" gains semiotic clarity because "O Boticário" exists, and vice versa. If we removed either from the market, the other would lose part of its connotative power, because connotation depends on the system of differences in which the sign is embedded.

Kapferer (The New Strategic Brand Management, 2012) would describe the difference between the two as "brand identity." And he would be correct. Kapferer's Identity Prism maps personality, culture, self-image, and reflection. Each of these elements, translated into Barthesian terminology, is an axis of connotative production. When Kapferer says that brand "culture" is one of the six facets of identity, he is saying that the brand produces systemic cultural connotations. The vocabulary is different; the operation is identical.

The Strategic Error: Confusing Denotation with Positioning

Most positioning strategies operate exclusively in the denotative register. "We are the best cost-benefit brand." "Our product has the highest durability in the market." "We lead in technological innovation." Each of these claims is denotative: it describes a verifiable (or supposedly verifiable) product or service attribute.

The problem is that denotative attributes are replicable. If your positioning lives on the denotation plane, any competitor with sufficient R&D or manufacturing investment can occupy the same position. "Best cost-benefit" is a race to the bottom. "Highest durability" is a technical specification that the competitor's next product generation can match. "Technological innovation" is the positioning every tech company claims.

Semiotically robust positioning operates on the connotative plane. Volvo connotes safety. The denotation (the car has airbags, reinforced structure, advanced braking systems) supports the connotation, but what the consumer buys is the second-order meaning: "I am the type of person who prioritizes family protection." Denotation is a necessary condition. Connotation is what builds territory.

Greimas (Sémantique Structurale, 1966) formalized this with the concept of isotopy: the recurrence of semic categories throughout a text that ensures reading coherence. A brand with strong connotative isotopy is a brand where all touchpoints reinforce the same second-order reading. Every Patagonia touchpoint reinforces environmental isotopy. Every Natura touchpoint reinforces ecological Brazilianness isotopy. When a touchpoint contradicts the isotopy, the connotative reading fragments, and the brand loses semiotic coherence before losing market position.

Romaniuk (Building Distinctive Brand Assets, 2018) translates this fragmentation into empirical language: "inconsistent distinctive assets reduce correct brand attribution." In Barthes' language: incoherent connotators fragment the second-order reading. The measurable result is the same. The diagnosis, when you have the complete model, is more precise.

Framework: Signification Level Audit

Applying the Hjelmslev-Barthes model to brand practice requires a four-step analysis protocol. The goal is to map where the brand operates (denotation, connotation, or myth) and identify gaps, inconsistencies, or opportunities for semiotic densification.

Denotation/Connotation Audit Protocol

  1. Denotative mapping. List all first-order meanings the brand communicates: product attributes, technical specifications, functionalities, price, distribution. Ask: if we removed the brand name and logo, what does the product communicate by itself? This inventory is the denotative plane.
  2. Connotator inventory. Identify expression plane elements that produce second-order meanings. Typography, color palette, verbal tone of voice, store architecture, name sonority, ambassador selection, packaging type, pricing policy as sign (premium price connotes exclusivity; aggressive price connotes democratization). Each connotator is a fragment the receiver synthesizes into a global reading.
  3. Isotopic coherence test. Verify whether the connotators identified in step 2 produce a unified connotative reading. Greimas' test is simple: is there a recurring semic category (a theme) across all connotators? If the answer is "sustainability," then the name, palette, packaging, communication, and business model must all connote sustainability. Any connotator pointing to a different axis (ostentatious luxury, speed, technological disruption) is an isotopy break that weakens the reading.
  4. Operational level diagnosis. With the complete map, classify: at which level does the brand primarily operate? Brands stuck in the denotative compete on attributes. Brands with a strong connotative system compete on meaning. Brands that have reached the myth level (Barthes) have naturalized their connotation to the point where it seems like a fact of the world, and there the competitive advantage is structural.

Peirce (Collected Papers, 1931-1958) would add a warning: every sign generates an interpretant, and that interpretant is itself a new sign. Semiosis is unlimited. The connotation a brand builds today will be reinterpreted by tomorrow's consumer in a context the strategist does not control. A brand that connotes "sustainability" in 2026 may connote "greenwashing" in 2028 if denotative practices do not match the connotative promise. Eco (A Theory of Semiotics, 1976) reinforced: the limits of interpretation exist, but they are cultural, not fixed. Brand work is the continuous maintenance of coherence between the two levels.

Practical Implications: What Changes in Your Strategy

First: stop describing attributes and start designing connotators. The strategic question is not "what does our product do?" (denotation). It is "what does the set of our signs produce as a second-order reading?" (connotation). The answer to this question defines the brand's real territory.

Second: audit the coherence between levels. Connotation only works when supported by denotation. A brand that connotes "craftsmanship" while producing at industrial scale with generic finishing will generate a dissonance the consumer detects before they can verbalize it. Barthes called this "anchorage" (Rhetoric of the Image, 1964): the linguistic text anchors the image reading. In brand, denotation anchors connotation. Without anchorage, connotation floats and loses credibility.

Third: map competition by signification level, not by product portfolio. Your real competition is whoever operates in the same connotative system, even if they sell different products. Patagonia competes semiotically more with Tesla (connotation of "capitalism with purpose") than with North Face (denotation of "outdoor clothing"). Mapping by signification level reveals competitors that traditional market analysis does not see.

Fourth: accept that connotation is temporal. What connotes "modern" today will connote "dated" in five years. The mechanism does not change. The contents change. The strategist's job is to keep the connotator system updated without losing the isotopy that guarantees brand legibility. Kapferer (The New Strategic Brand Management, 2012) calls this "renewal within continuity." Barthes would say the myth needs constant nourishment to avoid demythification.

Fifth: test naturalization. If the public thinks the brand "is" what it connotes, the myth is operating. "Volvo is safety" is naturalized myth. "Apple is creativity" is naturalized myth. "Natura is sustainability" is in the process of naturalization. When connotation reaches the myth level, it becomes invisible as construction. And that is where the brand achieves structural competitive advantage, because the competitor cannot attack something the public does not recognize as construction.

The Hjelmslev-Barthes model is nearly eight decades old. The fact that most brand strategists operate without it is information about the state of the profession, about how much the market confuses attribute management with meaning construction. The difference between the two operations is the difference between having a logo and having a brand.

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